O governo federal anunciou ontem os detalhes para instalaçao, num prazo de cinco anos, do Sistema de Identificaçao Automática de Veículos (Siniav). Sao Paulo deve ser uma das primeiras cidades a monitorar a frota com chips - o prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi o primeiro a conhecer o sistema, numa sessao exclusiva na quarta-feira. Além de permitir um melhor gerenciamento do trânsito, essa tecnologia colocará a capital a um passo do pedágio urbano.
O sistema permitirá também o monitoramento da velocidade por trechos e nao pontualmente, como fazem hoje radares em todo o País. Ou seja, nao vai adiantar o motorista colocar o pé no freio só quando estiver passando pela área monitorada pelo equipamento de fiscalizaçao. E essa funçao poderá ser adotada tanto em áreas urbanas como em rodovias. A tecnologia do Siniav dispensa também praças de pedágio e a cobrança é feita "virtualmente", podendo ser debitada no cartao de crédito.
A comunicaçao entre o chip e as antenas será feita por frequência semelhante à de celular. O circuito vai ser instalado no para-brisa do veículo e sempre que passar por uma das antenas o automóvel terá informaçoes captadas e levadas para uma central. Toda a frota, nova e velha, terá de circular com chip em até 5 anos. Carros novos ganharao o aparelho no emplacamento. Nos antigos, a instalaçao será gradual, seguindo provavelmente o calendário do licenciamento.
O monitoramento por chip também será um instrumento de segurança pública. Todos os Detrans do País terao de abastecer uma base de dados com informaçoes sobre veículos roubados, furtados, clonados ou usados em sequestros. Os leitores das antenas estarao programados para identificar esse veículo e acionar a fiscalizaçao. "Até sequestro relâmpago, se for avisado com rapidez, poderá ser solucionado, pois se saberá onde o carro estará passando e a polícia vai agir", explicou o consultor em Trânsito Alexandre Zum Winkel.
Os governos poderao fiscalizar ainda licenciamento, multas, IPVA e inspeçao veicular. E o município poderá atribuir ainda outras funçoes ao aparelho, como fiscalizar o rodízio de veículos. Metade da capacidade dele será usada para guardar informaçoes públicas e a outra poderá ser "explorada" pela iniciativa privada. Empresas que administram estacionamentos podem usá-lo para controlar o acesso de veículos, por exemplo.
POLEMICA - "Fatalmente vamos chegar a esse tipo de restriçao (o pedágio urbano)", avalia o engenheiro de Tráfego Francisco Moreno, que presta consultorias para a Prefeitura de Sao Paulo e para o governo do Estado. Segundo ele, com a instalaçao das antenas, bastará uma decisao política. Kassab já afirmou, porém, ser contrário à medida, por considerá-la "socialmente injusta." Procurada ontem, a Secretaria Municipal de Transportes nao se pronunciou.

Fonte: Zap.com.br